sábado, 8 de agosto de 2015

ASPRA – PE RESPONDE ÀS DECLARAÇÕES DO SECRETÁRIO DE DEFESA SOCIAL

A Associação de Praças de Pernambuco (ASPRA-PE) está impressionada com as declarações do secretário de Defesa Social o qual atribui o crescimento do número de homicídios em Pernambuco, à decisão dos policiais civis e militares de estarem se recusando a participar do programa de “jornada extra”. Em respeito à sociedade pernambucana, é preciso esclarecer os fatos. 

As declarações do secretário foram, no mínimo, equivocadas. Até o momento, nenhum policial militar abandonou o programa de jornada extra, mais conhecido como PJEs. Ameaçaram mas não fizeram. Pelo contrário, continuam sofrendo, vendendo suas horas de folga para garantir a segurança da população. Até porque o PJEs há muito tempo deixou de ser voluntário para ser “voluntório”, ou seja, a tropa é praticamente obrigada a aceitar. 

Para quem não sabe, o PJEs é um “bico” institucionalizado, ou seja, uma forma de complementar o salário. O policial ou bombeiro, ao invés de fazerem serviços fora da Corporação, vendem suas folgas para o próprio estado. O PJEs, na verdade, disfarça a carência de efetivo. Como não tem PM ou BM suficientes para colocar nas ruas, os que existem são remanejados. 

Sendo assim, o policial faz, em média, oito serviços de até oito horas ao mês. E os bombeiros, fazem até três serviços de 24 horas. Menos horas de folga, menos tempo com a família, mais risco de vida, mais estresse e problemas de saúde. Por apenas, R$ 120,00 a cada serviço. O acréscimo no salário pode chegar a R$ 960 aos PMs e R$ 360 aos BMs. Mas é um acréscimo temporário. Basta adoecer para perder tudo.

Há anos, a ASPRA – PE luta pelo fim do PJEs pois considera que o programa vem escravizando a tropa. Muito risco e pouco reconhecimento. A verdade é que, desde a última mobilização da categoria, nada do que foi reivindicado pela tropa, foi atendido. Continuamos sem o Plano de Cargos e Carreiras, sem as mudanças do Código Disciplinar, sem o aumento salarial. O Hospital da PM cada vez mais sucateado, sem médicos. 

Definitivamente, a falência do Pacto pela Vida não é nossa culpa mas já era prevista. Por erros estratégicos simples e, o principal deles, é que, quando os resultados são positivos, nunca lembram que somos nós os elementos “número 1” no combate ao crime. Nada de elogios. Nada de estímulos. Mas quando os números são negativos, somos nós os culpados de tudo. Ora, secretário! A população pernambucana merece mais respeito. E a tropa também.

Fonte: ASPRA - PE

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